A um ano de distância das «Legislativas» quisemos saber como se apresenta o panorama político em Grijó.
Para isso ouvimos António Marques, um ex-professor muito conhecido na Vila, autor de manuais escolares.
«persona non grata» nas hostes do Partido Socialista, pelo menos do ponto de vista institucional ao que nos é dado saber que não alinha em projectos pessoais.
Confessa-nos duas mágoas que quer tornar públicas.
Jornal de Grijó (JG): Recentemente o Governo anunciou a intenção de garantir a escolaridade obrigatória aos alunos, independentemente do seu rendimento escolar. O que nos diz sobre isto?
António Marques (AM): Sou adepto da ideia de que hoje os meios de informação ao serviço dos alunos são imensas e a Escola é apenas uma delas. Por outras palavras, o que a Escola deve avaliar são capacidades e competências e não meramente quantidade e acumulação de informações que muitas vezes não servem para coisa nenhuma. O professor do tipo «magister dixit» é uma figura do passado, competindo de forma desigual com outras poderosas instâncias de informação. Hoje o professor é mediador, catalisador e facilitador de aprendizagens. Por isso penso que, em princípio, todas as crianças e jovens podem desenvolver as capacidades e competências solicitadas pela Escola, pelo que a retenção de um aluno é sempre uma debilidade do sistema. Quando eu era professor nunca nenhum aluno meu reprovou por causa da minha disciplina.
JG: Já que apareceu em primeiro lugar no inquérito que este Jornal promoveu, porque não se candidata a presidente de junta? De que tem medo?
AM: Olhe, em primeiro lugar, deixe-me dizer-lhe que estou contente pelo facto das pessoas se terem lembrado de mim, nesse inquérito. Mas eu sou um homem de equipa e trabalho em equipa. Mas eu não tenho medo de nada, gosto de desafios e a rotina aflige-me. Reconheço que, dentro do PS, tinha algumas possibilidades de fazer parte de um projecto de grande amplitude, mas considero-me um Social-Democrata de Esquerda reformista. É verdade, aderi ao Partido Socialista para poder desenvolver algumas politica sociais, o que não seria possível fora desse Partido.
JG: Diz-se por aí que quem manda na Junta é você e que trabalha na sombra do Presidente. Quer comentar?
AM: Sabe, essa ideia de que eu mando na junta até é agradável para mim porque isso quer dizer que eu tenho alguma influência nas decisões da Autarquia. Já lhe disse antes que eu sou um homem de equipa. Mas, para mim, o Presidente de uma Junta é apenas um elemento da Equipa pelo que deve saber ouvir antes de tomar qualquer decisão, embora seja o primeiro responsável por ela e pelas suas consequências. Nesse sentido sei que muitas decisões da Junta foram tomadas depois de ouvidos os seus membros, entre eles, eu. Não tenho uma visão autocrática do cargo de Presidente de Junta. Este é o líder mas não tem necessariamente de saber de tudo mas sim saber ouvir para tomar uma decisão e constituir-se como a face visível do Executivo.
JG: São públicas as razões que o levaram a abandonar o PS. As suas razões são as mesmas que as dos jornais?
AM: No Partido Socialista cabe de tudo até pessoas muito conservadoras. Mas eu sou reformista. Ou seja, estou aberto à mudança permanente e provoco a mudança e isso é incómodo em alguns sectores do PS. O que eu quero é um projecto valido para Grijó independentemente dos Partidos com representação na Assembleia. Se esse projecto não aparecer, retiro-me da vida pública, sem deixar de ser um grijoense interveniente.
JG: O senhor Rogério concorre como independente? Como vê isso?
AM: O senhor Rogério Tavares alimenta um projecto pessoal para Grijó e provavelmente irá concorrer como independente. Mas nenhum projecto politico pode ser só pessoal porque, assim, não satisfaz as necessidades da população. Por outro lado, a Autarquia não é um grupo de futebol que muda constantemente de treinador. Estou disponível para integrar um projecto que serva a população mas terei de os avaliar primeiro.
JG: Muitas pessoas estão descontentes com esta junta mas dizem que com o PSD ainda seria pior. Por isso dizem que votam não por vocês mas por um mal menor. O que tem a dizer a isto?
AM: Olhe as pessoas, preferem uma situação difícil como a actual, do que um salto no desconhecido. Não podemos esquecer que muitas vezes a conjuntura nos abre novas opções que antes não eram viáveis, eu próprio, pensava que as políticas sociais só eram possíveis no PS. Mas com a vinda de Luís Filipe Meneses para o Município de Gaia, conclui que com politicas reformistas também era possível trabalhar a área social.
JG: Há quem diga que você tem medo de dar a cara e trabalha na sombra para influenciar outros, nomeadamente o senhor Rogério. Quer comentar?
AM: O que se passa é que eu tenho mais disponibilidade para poder ajudar o Presidente como, alias, tenho feito ao longo dos últimos anos. Por outro lado, sou da opinião de que deve ser dado o seu a seu dono. Não tenho perfil para ser candidato mas isso não me preocupa nada porque, como lhe disse antes, acredito no trabalho de equipa.
JG: Quer dizer algo sobre a sua experiência como autarca?
AM: Posso dizer que ao longo de 16 anos no Executivo da Junta consegui criar uma imagem positiva sobre mim e o meu trabalho. Alias, o inquérito que o vosso Jornal promoveu parece comprovar isso mesmo. Tenho recebido muitos incentivos e encorajamentos para continuar a ser um homem público. No entanto, tenho duas mágoas: assumi a responsabilidade toda quando se deu a questão de se saber de quem era a propriedade do terreiro do Mosteiro. Reconheço que não devia ter ido tão longe porque realmente protagonizei uma espécie de cruzada pessoal numa altura em que todos os outros recuaram. Faço aqui publicamente «mea culpa». Uma outra mágoa tenho-a desde há muito tempo. Aquando duma festa das Noites de Verão e de S. Salvador de Grijó, foi divulgado por elementos afectos ao Grupo de Loureiro que eu partira as cadeiras e as mesas deles. Eu não fiz nada disso nem mandei fazer. Pois todo o mobiliário estava intacto. Foi uma cabala que foi montada contra mim por razões politicas ou outras que desconheço. Pena é que se trata do valor da minha palavra contra a de outras pessoas que não se assumem …
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