
Um imponente orgão de tubos jaze no Mosteiro de São Salvador de Grijó, um belíssimo especime da sua altura, retratamos um pouco da sua beleza histórica.O órgão de tubos da Igreja do Mosteiro de S. Salvador de Grijó é um instrumento típico ibérico. Pelas características técnicas podemos concluir que possivelmente foi construído no final do séc. XVIII ou início do séc. XIX, tendo sido utilizada a caixa existente assim como algumas peças interiores, O seu autor devera ter sido o organeiro Manuel Sa Couto de Lagonsinha - Santo Tirso que construiu diversos instrumentos no norte do país embora nunca assinando os eus trabalhos. No interior de um tubo de madeira encontrámos um papel com o seu nome e as palavras “Convento de Grijó”.
O órgão encontra-se embutido na parede Sul e em tribuna própria com caixa pintada e ornamentos dourados; na fachada possui os tubos do Flautado de 12 e da Oitava Real, ambos da mão esquerda; ainda na fachada possui também 5 meios registos de palhetas horizontais; tem 2 Manuais com 54 teclas (de Dó a Fá5); possui 33 meio-registos e um total de 1283 tubos dos quais 50 de madeira e 191 de Palheta. Além dos habituais pisantes para os Cheios tem também tambores, passarinhos e bombo.
Durante os anos de 2002-2003, este instrumento foi recuperado pela Oficina e Escola de Organaria. O restauro da pintura e douramento foi feito pelo Sr. José Rocha.
Durante estes trabalhos procurou-se recuperar o instrumento para a sua entidade original, tanto na vertente arquitectónica como na vertente tímbrica. O órgão foi desmontado e limpo; os someiros foram metodicamente restaurados, assim como a mecânica das notas e registos. 2 foles foram reconstruídos e colocados na sua possível posição original; ficou também garantido o possível uso do instrumento “dando ao fole”. Os tubos foram cuidadosamente limpos, restaurados e alongados; foram reconstruídos cerca de 100 tubos de metal, quase todos dos Ecos. A pintura original foi restaurada, e o douramento cuidadosamente limpo, refeito aonde faltava, usando as técnicas e materiais originais, e ouro de 23 quilates.
Assim se conseguiu redescobrir a sonoridade original, muito homogénea, forte mas não gritante. O temperamento usado é o mesotónico modificado, próprio para um instrumento desta época que realça a tendência mesotónica mas não proíbe algumas tonalidades. Bem-hajam todos os que se empenharam na recuperação deste instrumento, esperando assim que este órgão sirva a Igreja e a Cultura ainda por muitas gerações e a sua música encha os corações.
Pedro Guimarães von Rohden
Mestre-organeiro
Observações
Localidade: Grijó
Localização: Tribuna (Sul)
Construtor: Manuel Lagonsinha
Ano Construção: final sec XVIII/ inic. sec XIX
Último Restauro: 2003 por Pedro Guimarães von Rohden
Estado: Operacional
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